Praticar a comunicação não-violenta pode mudar o modo como você se relaciona com as outras pessoas, seja no ambiente profissional ou nos seus relacionamentos pessoais.

Provavelmente você já passou por alguma situação em que se sentiu frustrado após um diálogo em que ouviu algo parecido com “você sempre chega atrasado” ou “você nunca me dá atenção”, ou variações dessas frases. Isso é bem comum, não é mesmo?

Mas, como mudar essas situações? Como não se sentir frustrado após ouvir uma inverdade? Como reagir perante situações como essas?

A resposta para essas perguntas está na comunicação não-violenta. Mas, afinal, o que é comunicação não-violenta? É o que vamos descobrir ao longo deste artigo.

  • O que é comunicação não-violenta?
  • Os 4 componentes da comunicação não-violenta;
  • Como aplicar a CNV em sua organização?
  • Empecilhos para a comunicação não-violenta;
  • Empatia e a sua importância na comunicação não-violenta.
  • Como desenvolver a minha comunicação?

 

O que é comunicação não-violenta?

 

A comunicação não-violenta (CNV) é uma ferramenta de comunicação que utiliza técnicas de comunicação para que possamos nos expressar de forma empática, de modo que os nossos sentimentos e necessidades sejam atendidos.

Sua abordagem teve início nos anos 60 quando Marshall Rosenberg, autor do livro Comunicação Não-Violenta, atuou como orientador educacional em instituições de ensino que eliminavam a segregação.

Segundo Marshall, a CNV é “uma forma de comunicação que nos leva a nos entregarmos de coração”.  Ela nos propõe a repensar a maneira como nos expressamos e como ouvimos o outro.

Seu objetivo, segundo Rosenberg, é:

“Estabelecer um relacionamento baseado na sinceridade e na empatia e satisfazer as necessidades de todos.”

Para que a comunicação não-violenta seja praticada é preciso conhecer os seus componentes que são quatro:

  • Observação;
  • Sentimentos;
  • Necessidades; e
  • Pedido.

Vamos entender o que esses componentes propõe?

 

Os 4 componentes da comunicação não-violenta

 

A comunicação não-violenta possui quatro componentes que nos levam a receber com empatia o que o outro está tentando nos transmitir. Vamos ver um exemplo de diálogo no qual esses componentes não foram observados.

Imagine que você saiu atrasada de casa para ir para o trabalho, porque ficou até tarde terminando um relatório que teria que ser apresentado no outro dia na reunião da empresa.

Por conta disso você perdeu o ônibus e teve que pedir um Uber que errou a rota e cancelou a viagem, fazendo com que você tivesse que chamar outro motorista.

Por fim, você consegue chegar ao trabalho dez minutos atrasada para a reunião e a primeira coisa que o seu chefe te diz é: “Você sempre chega atrasada! Estão todos te esperando para começar a reunião!”

Bem, imagino que você não ficaria feliz em ouvir isso, não é mesmo? 

Claramente houve um erro de comunicação e isso ocorre com uma certa frequência em nosso cotidiano, seja no ambiente profissional ou nos nossos relacionamentos pessoais.

Muitas vezes nós não expressamos o que realmente estamos sentindo, a real necessidade que temos por trás de uma fala. Isso ocorre porque temos medo de nos expor e de demonstrar as nossas fraquezas para os outros.

E, para que isso não ocorra e a mensagem seja entregue, é necessário que a conexão não seja interrompida. Por isso a necessidade dos componentes. São eles:

 

1. Observação

 

É sempre importante começar uma conversa observando os fatos, sem os nossos julgamentos e percepções. Para ilustrar, podemos voltar no exemplo.

Quando a funcionária chega na empresa atrasada o ideal seria que o seu chefe dissesse o que realmente aconteceu e não fizesse uma generalização.

Ele poderia ter dito: “Você chegou atrasada para a nossa reunião e sabe como é importante esse projeto para a empresa. Aconteceu alguma coisa?”

Seria uma possibilidade de diálogo, no qual ele estaria falando o que realmente aconteceu e dando espaço para que a funcionária se explicasse.

 

2. Sentimentos

 

Os sentimentos são gerados a partir de uma associação mental das nossas emoções. Essa associação é feita com base no nosso repertório, nas nossas crenças, valores e experiências de vida.

É importante ter em mente que por trás dos nossos sentimentos existe uma necessidade não atendida. E nós temos a tendência de responsabilizar os outros pelo o que sentimos.

Para que isso não aconteça é necessário entendermos qual é a causa dos nossos sentimentos, que está relacionada com uma necessidade, seja ela nossa ou dos outros, e o que é estímulo, um fator externo.

Voltando no nosso exemplo, podemos identificar que um dos sentimentos que estava por trás da fala do chefe era o medo da funcionária não chegar a tempo e a reunião ser prejudicada.

 

3. Necessidades

 

Segundo Marshall Rosenberg:

“Por trás de todo comportamento existe uma necessidade”. 

A partir dessa frase podemos concluir que é preciso externar quais necessidades estamos buscando suprir em um diálogo, para que você possa ser melhor compreendido. 

Muitas pessoas acham que não precisam falar sobre as suas necessidades, porque se o outro realmente o conhece deveria saber o que se passa em seu interior.

Porém, isso é um mito! 

Nós precisamos entender as nossas necessidades e as dos outros e nos importar com elas. Quando reconhecemos as necessidades conseguimos pensar em diversas soluções para elas.

 

4. Pedidos

 

Para se fazer um pedido é necessário o autoconhecimento. Temos que ser específicos para que o outro possa entender o que de fato precisamos. 

Quando você pede se torna vulnerável, pois pode receber um “sim” ou um “não”. E o medo de ouvir uma resposta negativa faz com que ao invés de fazermos pedidos acabamos por exigir algo do outro.

 

Exemplo de Aplicação da CNV

 

Assim, após conhecer as quatro componentes da comunicação não-violenta, podemos reformular a fala do chefe:

“Você chegou atrasada para a nossa reunião e sabe como é importante esse relatório para a empresa (observação). Aconteceu alguma coisa? Fiquei com medo de você não chegar a tempo e ter que cancelar a reunião (sentimento) a pontualidade em uma reunião importante como essa é um fator decisivo (necessidade). Da próxima vez você pode se esforçar mais para chegar no horário? (pedido).”

Viu como o diálogo mudou? Como agora há um espaço para a comunicação? Esse é um exemplo no qual os sentimentos e necessidades foram explicitados. Desse modo há uma facilitação da comunicação.

Vamos entender agora como podemos aplicar essas técnicas no ambiente colaborativo.

 

Como aplicar a CNV em sua organização? 

 

O ambiente de muitas empresas acaba criando um sentimento de competitividade entre os colaboradores. Assim, quando alguém comete um erro sempre buscamos um culpado, gerando entre os membros da equipe o medo de errar.

Tal ambiente acaba corroborando para que os funcionários não consigam manter a saúde mental no ambiente de trabalho.

A comunicação não-violenta pode ajudar para que isso não ocorra, a partir do momento que se cria espaço para que as pessoas se expressem e que isso seja estimulado, seja através de workshops ou criando realmente uma cultura organizacional que contribua para que isso aconteça.

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Agora que você já sabe como aplicar a CNV na sua organização, vamos entender porque as falhas de comunicação acontecem com frequência. Existem alguns empecilhos para que a CNV seja efetiva e vamos conhecer quais são eles.

 

Empecilhos para a comunicação não-violenta

 

Existem algumas formas de nos comunicarmos que impedem que o nosso estado compassivo natural seja demonstrado. Essa forma de comunicação foi denominada por Marshall como “Comunicação alienante da vida” e os motivos que a causam são:

 

Julgamentos moralizadores

“Analisar os outros é, na realidade, uma expressão de nossas necessidades e valores.” - Marshall Rosenberg

Quando ouvimos os outros com um senso de criticidade, julgando a situação segundo os nossos valores, estamos fazendo um julgamento moralizador do outro. Culpar, insultar, depreciar, entre outras formas de julgamento não nos ajudam na comunicação.

 

Comparações

Fazer comparações é uma forma de julgar o outro. Quando decidimos utilizar dessa prática anulamos a nossa compaixão, o que nos impede de criar uma conexão com a pessoa com quem estamos dialogando.

 

Negação da responsabilidade

Nós precisamos estar conscientes que somos responsáveis pelos nossos pensamentos, sentimentos e pelos nossos atos. Tentar transferir isso para alguém ou para algum fato não resolve a nossa necessidade.

Além de tudo o que já conversamos até aqui, existe um elemento que é essencial para que a comunicação não-violenta ocorra. A empatia. E é sobre como ela faz parte das técnicas para aprimorar relacionamentos a partir da CNV que vamos entender agora.

 

Empatia e a sua importância na comunicação não-violenta

 

A comunicação não-violenta se baseia em dois princípios, sendo eles:

  • Expressar-se honestamente utilizando os quatro componentes da CNV;

  • Receber com empatia por meio dos quatro componentes da CNV.

Mas como saber se estamos recebendo a mensagem de forma empática?

Segundo Otto Scharmer em sua teoria do U, existem quatro níveis de escuta, sendo eles downloading, factual, empática e generativa, como você pode observar na imagem abaixo:

 

Teoria do U

 

Assim, para que a comunicação não-violenta seja efetiva é preciso ouvir com “vontade aberta”. Nesse nível você já se desfez dos seus pré-julgamentos e opiniões e está completamente aberto a ouvir o que o outro tem a dizer.

Quando falamos de “conectar com o futuro emergente” significa que estamos dispostos a tudo o que a pessoa pode vir a falar como expressão do que ela está sentindo no momento.

E agora, como começar a desenvolver e aplicar tudo o que aprendemos até aqui?

 

Como desenvolver a minha comunicação?

 

É importante conscientizar as pessoas sobre a importância da cultura de feedback, da honestidade e principalmente, de estar aberto a ouvir e compreender a necessidade do outro.

Como vimos no decorrer deste artigo, praticar a comunicação não-violenta é algo que pode nos ajudar a mudar a forma como nos relacionamos com os outros utilizando de uma comunicação empática.

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