A filosofia Lean ou mentalidade enxuta surgiu no pós-guerra no Japão, sendo conhecida também como Sistema Toyota de Produção pois seus fundadores e pioneiros na aplicação da metodologia eram do Grupo Toyota.

O pensamento lean consiste na produção dos produtos somente na quantidade necessária e com os recursos devidos, de acordo com as necessidades dos clientes.

Tal sistema de produção caracterizado pela busca contínua da eliminação/redução de desperdícios gera alta otimização dos processos de trabalho, além de agilidade no atendimento às necessidades dos clientes, pois as entregas são realizadas dentro do prazo.

Já imaginou como esta filosofia pode ser aplicada no ramo da saúde e gerar excelentes resultados, tanto para a instituição quanto para os pacientes? É possível produzir mais com menos na saúde? Esse é o assunto que vamos analisar nesse artigo.

 

Há desperdícios na saúde?

 

Onde há processos existe também grande potencial de haver desperdícios, ou seja, atividades ou tarefas que não agregam valor ao cliente. Os serviços de saúde possuem diversos processos, protocolos e procedimentos complexos e com certeza estão repletos de desperdícios.

Consegue identificar alguns dos 8 desperdícios da metodologia Lean no ramo da saúde? Vamos analisar juntos e tenho certeza que a partir daqui você vai conseguir visualizar ou até mesmo lembrar-se de algum deles que já tenha presenciado:

 

Espera: já ficou esperando horas em alguma fila para atendimento médico ou alguma consulta? O resultado do exame está demorando? A espera é um problema crônico nos serviços de saúde e com certeza pode gerar grandes impactos no paciente.

Além disso, podemos citar: demora na administração de medicação em paciente e atraso no procedimento cirúrgico.

 

Defeitos: com certeza você já ouviu casos de erros na saúde divulgados pela mídia. Erros em cirurgias, medicação errada administrada em paciente, entre outros.

Erros ou defeitos de alta gravidade são facilmente identificados e causam grande repercussão na comunidade, porém falhas menores que ocorrem nos bastidores da prestação de serviços também impactam nos processos e sua fluidez.

São exemplos: Erro na prescrição médica, erro na checagem de carrinhos de emergência, quedas, algumas infecções e lesões por pressão.

 

Movimentação: principalmente os profissionais de enfermagem possuem uma rotina de trabalho bem frenética. Aferem sinais vitais, fazem curativos, pegam medicamentos na farmácia, preparam medicação, descartam materiais perfurocortantes, transportam pacientes, buscam exames.

Obviamente nem tudo fica perto do posto de enfermagem. Muitos hospitais possuem um layout inadequado de forma que os profissionais precisam andar longas distâncias para concluir seus processos de trabalho.

 

Superprodução: muitos diagnósticos são conclusivos com poucos exames, porém muitos profissionais da saúde solicitam exames desnecessários. Além disso, podemos citar o exemplo de uma farmácia hospitalar, onde pode haver o descarte de diversos medicamentos comprados em excesso e a validade expirou.

 

Excesso de Processamento: o preenchimento de diversos formulários com as mesmas informações, diversas autorizações para realização de determinados procedimentos, elaboração de relatórios e coleta de dados pouco úteis podem impactar os pacientes..

 

Transporte: digamos que você esteja internado no 6° andar de um hospital e necessite fazer um exame de imagem no térreo. A instituição não conta com um aparelho móvel de diagnóstico por imagem. A única solução é de fato você ir ao térreo realizar tal exame, o que pode ser um inconveniente para uma pessoa hospitalizada.

Outros exemplos muito comuns são transferências entre instituições sem a real necessidade, setores de exames muito distantes dos pontos de internação ou pronto atendimento. Ou seja, quase tudo que obrigue o cliente (paciente) a ser transportado por longas e desnecessárias distâncias, podemos considerar como desperdício.

 

Estoques: muitos insumos do ramo hospitalar possuem validade. Medicações, pomadas, soros, entre outros. Se comprados em quantidade excessiva, ou não levando em conta sazonalidades, podem gerar estoques redundantes e obrigar o descarte de tais materiais.

 

Intelectual: há vários profissionais da saúde com potencial desperdiçado. Por exemplo, técnicos de enfermagem que possuem a graduação superior em enfermagem, mas não são contratados como enfermeiros.

Existe também o aspecto do estresse ou carga emocional intensa que é consequência de se trabalhar nesse ramo.

Tais particularidades podem impactar significativamente a assistência aos usuários, a equipe de trabalho, a qualidade e a segurança dos procedimentos ofertados.

 

Sendo assim, é possível perceber alguns desperdícios presentes na prestação de serviços de saúde, que se eliminados ou reduzidos podem gerar uma melhoria claramente perceptível na sociedade.

 

Um olhar crítico em expansão

 

A metodologia Lean Healthcare possibilita aos gestores em saúde e equipes de trabalho olharem os detalhes dos processos, identificarem as oportunidades de melhoria e então realizá-las pela aplicação de soluções práticas e de baixo custo, gerando assim grande valor aos clientes.

Com tais melhorias aplicadas e mantidas, as instituições conseguem permanecer ativas, fornecer um atendimento de qualidade e seguro aos pacientes, além de lucrar mais devido à eliminação de custos provenientes dos desperdícios que foram eliminados ou reduzidos.

Tal filosofia aplicada à saúde encontra-se em expansão no Brasil e com certeza influencia fortemente na qualidade, fluidez, eficiência e eficácia dos serviços em hospitais, ambulatórios, clínicas e laboratórios pela melhoria contínua que proporciona.

 

Que tal aprender mais sobre a filosofia Lean?

 

Tenho uma ótima dica para você: o curso GRATUITO de Introdução ao Lean Manufacturing oferecido pela Voitto.

Nele, você vai se familiarizar com as ferramentas dessa metodologia que revolucionou empresas no mundo todo.

Não vai ficar de fora, vai?