Não é de hoje que os preços do petróleo sofrem com grande volatilidade. Isso ocorre devido a diversos fatores, dentre eles destacam-se a política, a economia e a produção e consumo de um país e dos países que dele importam e exportam essa matéria prima. A nova crise do petróleo está relacionada com todos eles!

O petróleo, combustível fóssil, é um dos recursos naturais mais utilizados como fonte de energia nos dias atuais. 

Devido a essa importância, a commodity é agente de constantes negociações entre países que importam a matéria-prima e países que a produzem e exportam, detendo assim, grande influência e controle sobre seu  preço.

As quedas observadas no preço do barril e, consequentemente, no valor de mercado das empresas produtoras ao redor do mundo, estão diretamente relacionadas com o segundo grupo de países citado acima.

Está se interessando pelo assunto? Vem comigo e nunca mais sinta-se perdido ao escutar o William Bonner dizendo que a cotação da Petrobrás desvalorizou quase 30%.

 

OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo)

 

É impossível entender as negociações e a precificação do petróleo sem falar da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, OPEP. Organização que une os maiores produtores de petróleo do mundo.

Fundado em 1960 por Irã, Iraque, Kuwait, Arábia Saudita e Venezuela, o bloco comercial contou com a participação de vários outros países durante a sua história chegando a reter sob seu domínio cerca de 75% das reservas mundiais de petróleo e, assim, sendo responsável por quase metade das exportações da matéria-prima.

Tal posição e domínio sobre o recurso natural proporcionou grande destaque e poder de decisão para a OPEP no mercado global de petróleo.

 

Funciona assim

Quando ocorre algum evento que restringe a produção de petróleo de outros países, quando aumenta a demanda global ou aumenta o preço do petróleo por algum outro motivo, a OPEP estabelece metas mais altas de produção para seus membros. Assim, aumenta-se a oferta da commodity e o seu preço volta a cair.

De maneira semelhante, quando deseja aumentar os preços, a OPEP reduz o excesso de oferta.

Pra quem se lembra um pouco do que aprendeu em geografia e história no colégio, temos na OPEP um claro exemplo de um Cartel.

Como todo Cartel, este tende a priorizar os seus participantes em detrimento dos interesses do consumidor. Porém, este em específico, é protegido pela doutrina da imunidade estatal sob o direito internacional.

A partir dessa guerra de preços entre a OPEP e os demais países que não participam do bloco, e também de especulações sob a commodity, vindas, por exemplo, da Bolsa de Mercadorias e Futuros, define-se o valor do petróleo.

Agora, note que o valor final do barril (Brent e WTI) tem diversas variáveis embutidas nele e que, dessa maneira, é muito instável.

 

Cadê o Brasil?

 

Você deve estar se perguntando, mas com uma empresa tão grande como a Petrobrás e com tantas bacias petrolíferas, poços de petróleo e refinarias, onde está o Brasil no meio disso tudo? Será que o Brasil não é um dos maiores produtores de petróleo do mundo?

A resposta é: sim, ele é! Mas entrar na OPEP vai muito além de simplesmente estar dentro deste pré-requisito. Trata-se de uma decisão estratégica, política, econômica e diplomática, muito importante a ser feita por cada país e pela própria OPEP.

A segunda, já tomou sua decisão. Em outubro de 2019,  o Brasil recebeu o convite da Arábia Saudita para se juntar a OPEP. Fato que reforça a importância do país como produtor de petróleo.

Especialistas porém, afirmam que o ingresso na OPEP não seria vantajoso para o Brasil e  Paulo Guedes, o atual ministro da economia, diz que, se o país aderir a OPEP, não seguirá práticas de cartel. Aguardamos então, cenas dos próximos capítulos sobre a entrada do Brasil no bloco comercial.

 

As grandes quedas

 

Pois bem, agora que você já entendeu um pouco melhor como se dão as oscilações de preço sobre o petróleo e o que é a OPEP, vamos entender porque ocorreram quedas tão significativas nos preços dos barris de petróleo e consequentemente nas ações das empresas do ramo, ativando  circuit breakers ao redor de todo o mundo.

O contexto mundial em que as quedas começaram a ocorrer já era de grande temor devido à probabilidade de instabilidade e crise econômica causada pela pandemia do Coronavírus. Uma crise na área da saúde que afeta direta e indiretamente diversas outras áreas e principalmente a economia.

Além disso, com muita gente em isolamento social e fazendo  home-office para evitar a disseminação do COVID-19, o consumo e a demanda de combustível para transporte diminuiu, reduzindo o preço do petróleo.

Mas, para as maiores quedas do preço do petróleo desde a Guerra do Golfo e quedas consideravelmente maiores do que em outros ramos, existem outras explicações além da  pandemia.

 

Rússia vs OPEP

A guerra de preços no mercado internacional de petróleo que desencadeou a nova crise do petróleo, foi protagonizada por Rússia e Arábia Saudita (líder da OPEP).

Diante das quedas nos preços do barril de petróleo, devidas ao contexto já evidenciado, a OPEP começou a planejar sua estratégia de cortes na produção para que, como explicado anteriormente, o preço voltasse a subir, devido a baixa oferta.

A Rússia porém, terceira maior produtora de petróleo do mundo, perdendo apenas para Estados Unidos e Arábia Saudita, não gostou da ideia.

A OPEP propôs à Rússia e aos demais países membros da OPEP um corte adicional de 1,5 milhão de barris de petróleo por dia para evitar ou ao menos diminuir os efeitos da pandemia sobre o preço do recurso.

A Rússia porém, não pretendia realizar um corte adicional na produção, desejando apenas estender o acordo que já vigorava.

Como resposta à decisão Russa, a Arábia Saudita anunciou redução no preço de venda e aumento em sua produção a partir de abril, o que desencadeou uma série de quedas no valor da commodity e nas ações pertinentes ao petróleo ao redor de todo o mundo, ativando circuit breakers e começando esta nova crise do petróleo.

O fato é que, tais eventos são prejudiciais para ambos os países e, ainda, para todos os outros produtores e exportadores de petróleo, tais como Estados Unidos e Brasil.

A boa notícia em meio a isso tudo, é que apesar de muito danosa para a economia dos países, petrolíferas e refinarias, se sustentada, a redução preço do barril tende a chegar às bombas dos postos de combustível, privilegiando assim, o consumidor.

 

Aprenda a lidar com a crise!

 

O número de investidores na bolsa bateu mais de 1,690 milhão em dezembro de 2019. Isso representa uma alta de mais de 100% no ano. Ou seja, mais da metade dos investidores que estão na bolsa começaram seus investimentos na renda variável à menos de um ano.

Uma bolsa formada por tantos investidores iniciantes, se não bem preparados e educados para momentos de crise, tende a fomentar e prevalecer comportamentos de manada, ou seja, movimentos em que a compra e venda de ações é feita, mais pelo instinto emocional do que por embasamento e avaliações condizentes.

Se você é um destes novos investidores, ou pretende ser, e deseja driblar este efeito para obter bons resultados operando na bolsa, saiba que isso vai demandar de você muito esforço, estudo e dedicação.

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