O mundo mudou e os processos de produção já não são mais os mesmos. Hoje, temos um infinidade de produtos ao nosso alcance e às vezes nos passa despercebido quantas partes ou problemas estão relacionados com todo o sistema.

Neste sentido nasce o OPT, que é um sistema de administração da produção um tanto quanto novo, mas que tem ganhado espaço nas linhas de produção de todo o mundo.

Sem mais enrolação, neste artigo vou te explicar o que é o sistema OPT, como funciona, onde surgiu, sua relação com o Lean Manufacturing e quais são os seus 9 princípios, preparado? Siga a leitura.

 

opt o que é como funciona

 

O que é o OPT

 

OPT (Optimized Production Technology) é um método de gestão de produção que ajuda as organizações a terem maior rentabilidade e menos desperdícios. Esse auxílio ocorre a partir da identificação, gerenciamento e resolução dos recursos-gargalo da empresa.

Além disso, ele é a união de dois elementos principais: a sua filosofia, demonstrada em 9 princípios e um software com direitos autorais.

O OPT tem como foco a lucratividade e, por isso, seu desempenho é mensurado a partir de de três objetivos operacionais:

 

  • Maximizar o fluxo de produtos vendidos ("Throughput"): essa é a taxa com que o sistema gera dinheiro através das vendas de produtos. É importante falar que o fluxo é baseado nos produtos vendidos, e não nos que foram produzidos mas ainda não comercializados.

 

  • Reduzir os níveis de estoques no sistema ("Inventory"): o estoque é quantificado pelo dinheiro gasto na produção de produtos mas apenas considerando a matéria prima. Nele não é contabilizado a margem de lucro nem as despesas operacionais, que entram na próxima categoria;

 

  • Reduzir as despesas operacionais ("Operating expenses"): são os custos operacionais que o sistema OPT gasta para transformar os estoques em fluxos.

 

Além desses objetivos operacionais, como o foco é o lucro, são levados em consideração outros 3 indicadores financeiros. São eles: lucro líquido, retorno sobre investimento e o fluxo de caixa. Abaixo uma breve explicação sobre cada um deles.

 

  • Lucro líquido: esse é o rendimento real da empresa. Ele pode ser calculado através da diferença entre a receita total e o custo total.
     

  • Retorno sobre investimento (ROI): avalia o retorno daquilo que foi investido a partir de investimentos próprios e de terceiros. Se quiser saber mais detalhes de como calcular esse indicador, acesse esse artigo.
     

  • Fluxo de caixa: refere-se as movimentações do dinheiro em um determinado período de tempo definido. Nesse artigo completo tem tudo o que precisa saber e ainda um bônus com uma planilha gratuita para download.

 

Onde o OPT surgiu?

 

A primeira abordagem do OPT foi proposta pelo físico israelense Eliyahu M. Goldratt nos anos 70, incentivado por problemas que enfrentava com a logística de produção.

Nos anos 80 o autor publicou um livro chamado “A Meta”. Nele ele explica os caminhos de Alex, um gerente de produção que precisa rapidamente fazer sua empresa voltar a dar lucro. Baseado nesses princípios ele consegue reverter a situação e ainda é promovido.

 

 

Então, a filosofia do OPT foi se desenvolvendo e se transformou em um sistema de gestão da produção, que antecede a chamada Teoria das Restrições (TOC). O OPT na verdade, foi justamente a frustração de Eli Goldratt para desistir dos métodos de otimização e criar a Teoria das Restrições.

Os princípios utilizados nesse sistema buscam reafirmar o fato de que a prioridade deve ser no planejamento dos recursos gargalo. Ficou curioso para conhecer os tipos de recursos? Abaixo eu te explico melhor.

 

O que são os gargalos na produção?

 

Entenda um pouco mais sobre a diferença entre esses dois recursos:

Recursos gargalos: esse é o nome dado quando um recurso interfere no ritmo da produção, o que gera uma diminuição da mesma. Isso acontece quando ele apresenta uma disponibilidade menor do que as outras estações de trabalho da mesma linha.

Recursos não-gargalos: é aquele que, diferente do mencionado acima, não apresenta variação no fluxo, pois sua disponibilidade é igual ou maior que a exigida, não interferindo na capacidade de produção.

Os gargalos podem ocorrer por vários motivos, seja por níveis de demanda irregular ou alguma adversidade. Logo, o mais importante é mapear onde eles estão para solucioná-los de forma eficaz.

A fim de solucionar esse problema, o OPT fornece 9 princípios que devem ser utilizados para ser colocado em prática, aqui vão eles:

 

Os 9 princípios do OPT

 

1. Equilibrar o fluxo e não a capacidade.

A abordagem inicial enfoca no balanceamento da capacidade e somente depois tenta estabelecer um fluxo de materiais, suave e se possível contínuo.

O OPT dá ênfase ao fluxo de materiais e não na capacidade dos recursos produtivos.

 

2. A utilização de um recurso não-gargalo não é determinada pela sua disponibilidade, mas por alguma outra restrição do sistema (por exemplo, um gargalo).

Não adianta colocar a capacidade de produção no máximo se houver gargalos no processo de produção, pois isso gera mais estoques intermediários. Então a produção deve ser baseada na maior capacidade do gargalo.

 

3. Utilização e ativação de um recurso não são sinônimos.

Caso a ativação do recurso não implique em contribuição ao atingimento dos objetivos, esta não pode ser chamada de utilização.

Exemplo: uma máquina produz 100 peças em 2 horas e o próximo processo precisa de 4h para atender essa demanda. Então não é necessário que o primeiro recurso também produzido por 4h pois isso vai gerar estoque.

 

4. Uma hora ganha num recurso-gargalo é uma hora ganha para o sistema global.

 

5. Uma hora ganha num recurso não-gargalo não é nada, é só uma miragem.

Segundo esses dois princípios os benefícios não são iguais em se reduzir os tempos de preparação (setup) em Recursos gargalos e não-gargalos. Ou seja, se você for melhorar o processo de um recurso que não-gargalo não vai gerar ganho de lead time no final.

 

6. O lote de transferência pode não ser e, frequentemente, não deveria ser, igual ao lote de processamento.

Lote de processamento é o número de peças que você vai processar no seu equipamento. Já o lote de transferência é o número de peças que você vai passar para a próxima etapa.

 

7. O lote de processamento deve ser variável e não fixo.

Exemplo: num lote de 100 peças, não é necessário aguardar a conclusão de todas para continuar, você pode dividir em 4 lotes de processamento de 25 cada. Isso reduz o tempo de espera do processo.

 

8. Os gargalos não só determinam o fluxo do sistema todo mas também definem seus estoques.

Os estoques devem ser localizados em pontos do processo de forma que consigam isolar os gargalos das incertezas que possam ocorrer com os processos não-gargalos.

 

9. A programação de atividades e a capacidade produtiva devem ser consideradas simultânea e não sequencialmente. Lead-times são um resultado da programação e não podem ser assumidos.

Lead time é a função do sequenciamento da produção e não entrada do sistema como ocorre no MRP. Esse princípio fala que a saída do sistema deveria ser o tempo de processamento e não a entrada.

 

Estes nove princípios do OPT, de certa forma, são intuitivos e úteis para as empresas que querem potencializar os ganhos e reduzir as despesas. Desse modo, o uso de alguns dos tópicos mencionados chegam até a preceder o uso do Software OPT.

No entanto, alguns destes princípios não são possíveis de serem aplicados sem o auxílio do software. Então, para que a solução seja completa e se possa extrair ao máximo do OPT, é necessário fazer o uso do Software especializado.

Essa característica faz com que os defensores do OPT argumentem que os programas gerados por ele sejam mais realísticos que os gerados pelo MRP.

 

O sistema tambor, pulmão e corda (Drum-Buffer-Rope)

 

A maneira com que o sistema OPT programa suas atividades é um dos seus pontos mais fortes. Sua programação, como vimos, é baseada nos 9 princípios e a seguir vou falar sobre os principais aspectos dessa sistemática.

Nos ambientes de manufatura é muito comum existir uma série de restrições, como as de mercado, fornecimento, política da empresa, capacidade dos processos produtivos. Essas características favorecem a existência de gargalos.

Tambor: determina o ritmo para a restrição. Ele é a programação em detalhes das restrições com todos os itens que devem ser produzidos, quantidades, e os horários de início e de término.

São as demandas que determinam o ponto de partida do Tambor.

Pulmão: é um mecanismo de tempo usado para proteger o gargalo das incertezas. O pulmão é medido em unidades de tempo e não pela quantidade de itens.

Sua duração está diretamente ligada com a restrição de outros recursos, que não são restrições, e também pela variância de resposta das operações.

Em outras palavras, quanto maior a variância maior a duração do pulmão e quanto maior a velocidade dos recursos, menor.

Corda: é o mecanismo de informação usado para sincronizar a fábrica e determinar a liberação dos materiais na cadeia de suprimentos.

Ela assegura que a liberação dos itens estará na quantidade exata e será processada pela restrição. Através de seu uso, é garantido que os recursos operem no mesmo ritmo, sem elevar os níveis do estoque no processamento.

 

Conclusão

 

 

Depois de elucidar todos estes termos e funcionamento do sistema OPT, podemos observar que ele oferece mais vantagens na produção de linhas complexas e com diversas estações de trabalho.

Com ele a fábrica se torna uma única unidade de produção, e as concepções do andamento e tempo de produção são aplicadas na gestão da programação.

Além disso, o objetivo da Tecnologia de Produção Otimizada é desenvolver um sistema de suporte ao gerenciamento das organizações, para alcançar maior rentabilidade e agilidade na identificação e resolução de problemas.

 

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Assim como o OPT, a filosofia Lean Manufacturing tem uma relação profunda com a produção puxada. Ambos são formas de otimização da produção que todo profissional das áreas de engenharia e administração precisam saber, não é mesmo?

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