Você já parou para analisar aquele código que aparece na prescrição médica ao invés do nome da enfermidade? Esses números fazem parte do CID 10 ou seja do Código Internacional de Doenças, que tem como principal função monitorar e padronizar doenças e problemas de saúde. 

A padronização da classificação,  que teve a última publicação feita em 1992 pela OMS (Organização Mundial da Saúde), é primordial para o trabalho e comunicação de médicos e profissionais de saúde.  Nela constam o nome dos distúrbios, sua classificação e sintomas. 

Vem entender melhor o que é a CID 10, para que serve essa classificação estatística internacional e como usá-la em atestados e pesquisas:

  • O que é CID 10;
  • Qual a importância e para que serve o CID 10;
  • Como utilizar o CID 10 em atestados e pesquisas;
  • O que esperar do CID 11? Qual é a previsão;
  • O que muda no CID 11.

 

O que é CID 10?

médicos

O CID - Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde - é um conjunto de códigos relativos à classificação publicada pela Organização Mundial de Saúde, que detalham, de forma padronizada, o nome do distúrbio, sua classificação, aspectos fisiológicos e sintomas. 

A lista classificatória, revisada com frequência, está na sua 10ª edição, sendo chamada portanto de CID 10. O código de identificação é formado por uma letra e posteriormente por três números, que são fixados no catálogo e seguidos com abrangência internacional. 

A classificação é dividida em 22 capítulos e dentro de cada um existem as categorias, letras e dígitos, além das subcategorias, que acrescenta um algarismo de 0 a 9. Tudo é retratado conforme os acontecimentos e avanços  da medicina e da tecnologia na área.

 

Qual a importância e para que serve o CID 10?

 

A padronização da classificação estatística internacional de doenças é fundamental para fornecer códigos relativos para o bom atendimento dos profissionais de saúde, que geralmente têm uma rotina corrida. Esclarece as principais queixas dos pacientes, tipos de ferimentos, causas externas e sociais da enfermidade em questão. 

O CID 10 é utilizado como uma espécie de guia médico,  contém a nomenclatura de cada enfermidade, podendo evitar sofrimentos e até salvar vidas. Esses códigos permitem uma comunicação muito mais clara e efetiva, além de afetar na tomada de decisões de gestores de saúde, pesquisadores, médicos e órgãos do governo. 

Em casos mais sigilosos, para evitar algum tipo de discriminação ou outras situações delicadas, o médico, a pedido do paciente, pode acrescentar o código  CID e não revelar o nome da doença. 

A atualização constante da lista CID acontece devido às constantes descobertas de drogas e novas constatações sobre o comportamento apresentado pela doença que está sendo estudada. 

 

Como utilizar o CID 10 em atestados e pesquisas? 

médicos

  • Segundo a resolução 1658/2002 do Conselho Federal de Medicina o CID 10 não precisa estar presente na receita médica, porém pode ser requisitado, com a devida autorização, pelo paciente;
  • Devido ao direito de sigilo entre a relação médico e paciente, presente na resolução nº 1.819, não é permitido ao convênio médico exigir que o CID 10 esteja descrito em procedimentos de reembolso e guias médicas;
  • O uso do CID 10 é muito vantajoso na hora de realizar pesquisas e padronizar patologias. Isso porque, essa classificação internacional agiliza a identificação, taxa de morbidade ou mortalidade de doenças em um determinado local ou grupo de pessoas. 

Exemplos das doenças mais prevalentes do catálogo e suas classificações:

  • Algumas doenças infecciosas e parasitárias (A00 – B99);
  • Neoplasias [tumores] (C00 – D48);
  • Doenças do sangue e dos órgãos hematopoéticos e alguns transtornos imunitários (D50 – D89);
  • Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas (E00 – E90);
  • Transtornos mentais e comportamentais (F00 – F99);
  • Doenças do sistema nervoso (G00 – G99);
  • Doenças do olho e anexos (H00 – H59);
  • Doenças do ouvido e da apófise mastóide (H60 – H95);
  • Doenças do aparelho circulatório (I00 – I99);
  • Doenças do aparelho respiratório (J00 – J99);
  • Doenças do aparelho digestivo (K00 – K93);
  • Doenças da pele e do tecido subcutâneo (L00 – L99);
  • Doenças do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo (M00 – M99);
  • Doenças do aparelho geniturinário (N00 – N99);
  • Gravidez, parto e puerpério (O00 – O99);
  • Algumas afecções originadas no período perinatal (P00 – P96);
  • Malformações congênitas, deformidades e anomalias cromossômicas (Q00 – Q99);
  • Sintomas, sinais e achados anormais de exames clínicos e de laboratório, não classificados em outra parte (R00 – R99);
  • Lesões, envenenamento e algumas outras consequências de causas externas (S00 – T98);
  • Causas externas de morbidade e de mortalidade (V01 – Y98);
  • Fatores que influenciam o estado de saúde e o contato com os serviços de saúde (Z00 – Z99);
  • Códigos para propósitos especiais (U04 – U99).

 

O que esperar do CID 11? Qual é a previsão?

médicos fazendo previsões

 

A 11ª versão do CID, que foi apresentada em maio de 2019 na Assembleia Mundial de Saúde, vai valer a partir de 1º de janeiro de 2022. A ferramenta, que foi traduzida em 43 línguas, terá sua nova edição totalmente eletrônica e cerca de 55 mil códigos, com tradução central para poder ser usada em diferentes idiomas.

 

O que muda no CID 11?

 

Um exemplo de termo que será atualizado do CID 11, com o objetivo de diminuir a discriminação é o “transtorno de identidade de gênero” pertencente ao grupo de doença mental, que será substituído por “incongruência de gênero”, com alteração para o grupo de doenças sexuais. 

Outros códigos foram revisados e aqueles referentes à resistência microbiana vão ter que seguir as orientações da GLASS (Sistema Global de Vigilância da Resistência Antimicrobiana). O atual documento reflete o progresso da medicina e os avanços da ciência. Contará com novos capítulos, incluindo a medicina tradicional e os transtornos causados por jogos eletrônicos.

É preciso enxergar a epidemiologia como uma forte aliada na assistência em saúde. A classificação estatística internacional de doenças traz melhorias nas áreas da pesquisa, na rotina médica, assim como torna a comunicação com o mundo mais integrada.

Ter o conhecimento da ferramenta CID é portanto capacitar os profissionais da saúde com informação. A padronização dos sintomas resulta em diagnósticos mais seguros e aumenta a confiança entre médico e paciente. Pacientes estrangeiros, por exemplo, podem ser atendidos e terem o mesmo tipo de tratamento em diferentes países, de forma mais assertiva e humanizada.

 

Aprenda mais!

 

E aí, agora você conseguiu entender o que é o CID 10, sua importância e como  utilizá-lo da forma mais adequada? Espero que sim! 

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