Você sabia que as ferramentas da qualidade surgiram bem antes da metodologia Seis Sigma? Por isso, para você entender bem sobre esse assunto, vamos começar estudando quando surgiram essas ferramentas, porque surgiram e quais seus objetivos.

 

Como tudo começou?

 

O conceito da metodologia Seis Sigma é de certa forma recente, surgindo por volta da década de 1980. Porém, as metodologias de qualidade existem há mais tempo. Elas surgiram em 1798, quando Eli Whitney introduziu o conceito de coerência e identificação de defeitos, analisando a qualidade do produto.

A partir daí, começou-se a entender e estruturar o que seria observar e monitorar a qualidade do produto que estava sendo produzido.

Na evolução desse pensamento, já em 1924, Shewart introduziu o conceito de controle estatístico de qualidade. Ou seja, agora utilizamos ferramentas estatísticas para monitorar a variabilidade e a estabilidade do meu processo.

O pensamento começava a se voltar para o processo, pois assim é possível prever se estamos produzindo dentro de uma especificação, dentro de uma qualidade que foi definida. (Umas das ferramentas mais utilizadas para isso é a carta de controle.)

Na década de 1950, após a Segunda Guerra Mundial, os japoneses tiveram que se reestruturar. Nesse momento, eles perceberam que precisavam aprender como era possível produzir com qualidade e baixo custo. Afinal, uma guerra causa estragos, certo?

Assim, convocaram Deming, que foi até o Japão ensinar um pouco do conceito de PDCA, de melhoria contínua e de estatística. Ele mostrou como era possível utilizar o PDCA aliado a algumas ferramentas para trabalhar a questão da qualidade durante a produção.

Em 1954, Juran vai ao Japão para apresentar alguns princípios da gestão da qualidade. Nesse ponto, se constrói um conceito mais próximo do que temos hoje, onde qualidade é entregar o que o cliente deseja, dentro de uma especificação, analisando os custos, a estabilidade e a padronização do processo. 

Chegando na década de 60, Kaoru Ishikawa cria o que ele chama de círculo de controle da qualidade. Mas o que é isso? É um grupo de ferramentas que é possível utilizar na avaliação de um processo ou de uma produção.

São ferramentas que servem para monitorar de forma adequada a qualidade de uma empresa, de uma usina, de uma fábrica. Assim, é possível monitorar e controlar se algum defeito surgir, alguma anomalia acontecer, tornando possível mapear e propor uma ação corretiva.

                                                                                                      

Como surgiu a metodologia Seis Sigma?

 

Com essa evolução do conceito de qualidade, surge enfim a metodologia Seis Sigma na Motorola, num cenário onde já se sabia a importância de analisar a qualidade do processo e do produto. Assim, ela começa a usar essa filosofia para poder melhorar sua qualidade e também sua competitividade no mercado.

A metodologia Seis Sigma é uma estratégia gerencial, onde você define como vai ser sua rotina e como você vai desenvolver um trabalho de melhoria nos seus processos, na sua empresa.

Essa filosofia propõe o trabalho por meio do método DMAIC, que é bem semelhante ao PDCA, e o uso de ferramentas estatísticas para monitorar e controlar a qualidade do processo. Esse método é dividido em 5 etapas:

  1. Definição: define o que se espera do projeto.
  2. Medição: obtenção de dados sobre o processo.
  3. Análise: identificar as causas raiz do problema.
  4. Melhoria (Improve): propor uma solução para cada causa raiz.
  5. Controle: monitorar os resultados alcançados.

 

 

É possível perceber que o Seis Sigma nasce nesse contexto de evolução da qualidade, tanto nos Estados Unidos, quanto no Japão, com os japoneses criando um novo conceito de qualidade, sendo referência no Sistema Toyota de Produção, também conhecido como Lean Manufacturing.

 

Metodologia Seis Sigma e sua evolução

 

Naturalmente, a metodologia evoluiu muito desde seu surgimento até os dias de hoje. Essa evolução é contínua, e o Seis Sigma começou a ser aplicado em diversas empresas e diversos negócios.

Mediante essa evolução, foi aumentando o número de ferramentas que a metodologia Seis Sigma utiliza. Foram sendo testados uma série de recursos, e hoje é possível compreender quais funcionam melhor.

Essa evolução natural também se atrelou a uma evolução tecnológica, pois hoje existem diversos softwares para análise de dados estatísticos. Cálculos que antes necessitavam de várias contas, hoje se resolve de forma eficiente no software Minitab, por exemplo. Bem melhor né?

 

Filosofia Seis Sigma e seu alcance mundial

 

Com o passar do tempo, a metodologia Seis Sigma foi ganhando espaço entre empresas e indústrias dos EUA, até que Jack Welch, CEO da GE (General Eletrics), comprou a ideia.

Ele implementou a metodologia Seis Sigma na GE e teve um resultado fantástico em termos de ganho. Então, Jack Welch fez uma propaganda enorme do 6 Sigma para o mundo, expandindo a metodologia para muito além das limitações dos EUA.

Hoje, o Seis Sigma tem sido bastante difundido em todos os continentes, em diversas empresas, e no Brasil não poderia ser diferente. Mas, agora você deve estar se perguntando: afinal, o que é a metodologia Seis Sigma?

 

Metodologia Seis Sigma: o que é?

 

A metodologia Seis Sigma é um sistema de gestão. Ela é quantitativa, estruturada e disciplinada. Quantitativa, pois trabalha com estatística baseada em dados. Estruturada, pois utiliza o método DMAIC. Disciplinada, pois exige um tempo mínimo de dedicação em função de um bom resultado.

Essa metodologia trabalha com três grandes objetivos, que são: redução de custos, otimização de produtos e processos e incremento da satisfação do cliente.

Se você aplicar o Seis Sigma em iniciativas que envolvam esses objetivos, sempre vai conseguir trabalhar projetos que entregam uma maior lucratividade e um melhor resultado para as empresas.

Talvez você possa estar pensando que a aplicação dessa filosofia é só para questões complexas, e isso é um equívoco! Existem projetos Seis Sigma para redução de custos de hospedagens em viagens, redução de custos fixos como conta de luz, conta de água, dentre outros.

Toda empresa se preocupa com a satisfação de seus clientes. Assim, a metodologia Seis Sigma tem sido bastante utilizada com o objetivo de reduzir o Lead Time de processos, aumentando a satisfação e a fidelização de seus clientes.

 

Áreas de aplicação do Seis Sigma

 

Um dos fatores interessantes da metodologia Seis Sigma é que ela pode ser aplicada em diversas áreas. Ela engloba tanto processos produtivos mais industriais, como também processos administrativos (Lean Office), logísticos (Logística Lean) e relacionados a área de saúde (Lean Healthcare).

Assim, eu posso ter projetos Seis Sigma em vários setores de uma empresa, como financeiro, setor de RH, no marketing, e também nas linhas de produção, que é uma área mais operacional.

Uma indústria química poderia utilizar essa filosofia para aumentar o percentual de eficiência de um biorreator. Uma metalúrgica para redução do percentual de sucata na produção de aço.

Uma empresa do varejo poderia aplicar a metodologia para trabalhar na redução da quantidade de notas fiscais emitidas e um hospital poderia reduzir o tempo de fila da triagem de seus pacientes.

Como você pode ver, a metodologia Seis Sigma tem inúmeras aplicações, sendo cada vez mais utilizada, principalmente em meio à crise, onde é necessário reduzir custos e otimizar resultados.

 

Dados confiáveis: um ponto crucial

 

Como você viu, essa metodologia é muito quantitativa. Logo, ela exige uma preocupação muito grande em relação à base de dados utilizada durante o processo.

Sempre que for definido um tema de projeto, esse tema deverá estar vinculado a uma métrica, um indicador. Essa métrica precisa ser mensurada sempre com dados confiáveis.

Como você vai controlar a qualidade de um processo, se os dados que você tem não são confiáveis? Como você pode afirmar que está sendo feito certo ou errado se seu controle tem como base dados não reais?

Portanto, é necessária muita atenção na hora de obter uma base de dados. Muitas pessoas pecam quando vão aplicar essa metodologia ao tentar ganhar tempo nessa etapa, que é tão crucial no decorrer do projeto.

Em cima de informações confiáveis, você consegue perceber se seu processo possui muita variabilidade, muita dispersão, se com a informações disponíveis é possível atingir a meta traçada para o projeto, ou se precisa fazer algum ajuste antes de seguir para o próximo passo.

 

Análise prática do processo

 

Para entender melhor como funciona o uso da metodologia Seis Sigma, imagine um processo em que você tenha 99% de rendimento. Suponha que em 99% do tempo você faz o certo, e 1% você faz da maneira errada. Esse é um bom nível de rendimento?

Nesse caso, precisamos avaliar o processo do qual estamos tratando. Para alguns processos, 99% de rendimento é um ótimo número. Para outros, pode não ser satisfatório. Então você pode estar se perguntando: quando 99% de eficiência não vai ser bom? Vamos lá, veja alguns exemplos.

A usina de Itaipu produziu no último ano 103,1 milhões de MWh. Agora imagine que 1% dessa produção fosse perdida no processo. De quanto estaríamos falando? Isso representaria 1,031 milhões de MWh desperdiçados, o suficiente para abastecer mais de 6 milhões de residências!

Assim como esse caso, podemos pensar em um hospital que faça 200 partos por mês. Se esse hospital tiver 99% de eficiência, por mês teremos 3 partos mal sucedidos. Ou seja, um número baixo de erros por mês, mas ainda inaceitável.

 

A escala Seis Sigma de qualidade

 

Estudando os casos acima, percebemos que em alguns casos 1% é muito. Por isso, na metodologia Seis Sigma existe uma escala que determina o nível de qualidade do processo, que está demonstrada a seguir.

 

 

Essa escala indica que no nível 1 Sigma eu tenho 691.463 defeitos por milhão, um número extremamente alto. Afinal, isso significa que apenas 30,85% do tempo eu faço da maneira correta.

Analisando o outro lado, quando eu tenho um nível 6 Sigma de qualidade, significa que tenho 3,4 defeitos a cada milhão. Esse é um nível de excelência ótimo, pois representa que em 99,9966% das vezes estou fazendo corretamente.

Geralmente, é considerado que a partir do nível 4 Sigma o processo está com nível de qualidade aceitável. Ou seja, quando eu tenho de 99,38% de acertos para cima, estou em um nível satisfatório na maioria dos casos.

 

O conhecimento que faz a diferença

 

Agora você já compreende a história da metodologia Seis Sigma, e já consegue entender que processos podem ter níveis de qualidade diferente.

É possível notar que se um processo está ruim, podemos utilizar essa filosofia para dar um salto de qualidade significativo, otimizando os resultados obtidos.

Logo, isso traz um retorno positivo para a empresa, afinal, um processo de qualidade certamente irá gerar um retorno financeiro, uma maior satisfação dos clientes e mais uma série de benefícios.

 

E aí, gostou da metodologia Seis Sigma?

 

Que tal estudar mais afundo essa filosofia que está cada vez mais presente no mercado? Uma filosofia que tem agregado valor profissional a todos que a conhecem?

Sabemos que toda empresa tem problemas, e uma pessoa capacitada a resolve-los é de extrema importância. Sabendo disso, e tendo visto que essa metodologia é ideal para atingir resultados, por que não se especializar no assunto?

Te convido a conhecer nosso curso gratuito de White Belt em Lean Seis Sigma, onde você vai conhecer um pouco mais dessa metodologia incrível que tem revolucionado os resultados de várias empresas ao redor do mundo.