Um dos caminhos mais procurados atualmente por jovens recém-formados é o programa de trainee. Um plano de carreira atrativo e sua característica de preparar o profissional para assumir cargos de liderança fazem com que o trainee seja primeira opção para muitos profissionais. Mas o que as grandes empresas esperam de um trainee?

É bom ter em mente que os programas de trainee são extremamente concorridos, com o trainee da Ambev alcançando o incrível número de 3.387 candidatos por vaga! Sendo assim, você vai precisar se destacar no meio de tanta gente. Para isso, separamos algumas dicas que com certeza te ajudarão nessa empreitada.

 

Minha experiência particular

 

Vou contar um pouco da minha própria experiência para você que acabou de se formar ou está terminando sua graduação agora. Quando eu estava prestes a terminar minha graduação em Engenharia de Produção, procurei identificar todas as oportunidades de programas de trainee que haviam disponíveis. Busquei também entender quais as características que levavam o candidato a ser bem sucedido e quais conduziam ao fracasso.

Sendo assim, submeti meu currículo a diversas empresas, passando por diversos testes de inglês, raciocínio lógico, dinâmicas e entrevistas. Passada essa fase, consegui ir para a etapa final de alguns programas, sendo aprovado em dois deles, que foram os programas de trainee da MRS Logística e da Energisa. Dado isso, pude chegar a algumas conclusões sobre o que as grandes empresas esperam de um trainee.

 

Preciso ter experiência profissional?

 

A resposta é não. Não é necessário que você tenha experiência profissional anterior. Pode contrariar um pouco o senso comum, mas essa é a verdade. Em um programa trainee, o que as empresas buscam é um profissional a ser moldado, alguém que absorva de forma mais fácil a cultura da organização.

Às vezes, ter uma experiência anterior pode atrapalhar o profissional, pois geralmente essa experiência geralmente implica em alguns vícios corporativos, além de resistência no processo de entendimento dos valores da empresa, de adaptação à forma da empresa gerir seus negócios.

Experiências anteriores podem sim te ajudar a adquirir algumas habilidades importantes, mas não é o principal em um programa trainee. O que as empresas querem de fato é capacidade de adaptação, raciocínio lógico e vontade de aprender, ou seja, um profissional que tem potencial para ser preparado para assumir posições de liderança.

 

Do I need to speak English?

 

Yes, you do! O nível mínimo de inglês que as grandes empresas esperam de um trainee é o avançado. O jovem trainee estará em contato com clientes e documentos estrangeiros e não só isso, estará em constante contato com vocabulário técnico em inglês. O inglês deixou de ser um diferencial e se tornou uma obrigação para o mercado de trabalho em geral, principalmente em um programa trainee.

Se quiser se diferenciar dos demais no quesito língua estrangeira, você precisa saber outro idioma além do inglês. De preferência, o idioma do país de origem da empresa para a qual você está prestando o programa de trainee. Por exemplo, se a empresa é a Mercedes-Benz, saber falar alemão, com certeza fará uma diferença enorme a seu favor.

Mas ainda há uma esperança para você que não tem o inglês no nível avançado. Existem algumas empresas estritamente brasileiras que não cobram um nível tão alto de inglês em seus programas de trainee. Busque sempre pelas empresas nas quais você se encaixa, mas não deixe de se atualizar constantemente, principalmente levando em consideração o mundo globalizado no qual vivemos.

 

Preciso ter experiência internacional?

 

Basicamente todas as grandes empresas concordam que esse não é um pré-requisito, mas um grande diferencial. Empresas como a 3M consideram um intercâmbio como algo desejável num candidato do programa trainee. Portanto, se você tiver a oportunidade de fazer um intercâmbio na faculdade, faça! A experiência em si somada ao networking adquirido podem ser o ponto fora da curva que vai te destacar dos demais candidatos.

Por exemplo, quando fui para a etapa final do programa de trainee da Votorantim, haviam outros quatro candidatos além de mim, e todos eles tinham tido uma experiência internacional, diferente de mim. Alguns tinham feito cursos do tipo “sanduíche”, ou seja, uma parte no Brasil e outra no exterior em países como Itália, Estados Unidos e Alemanha, enquanto um outro havia feito intercâmbio. Naquela ocasião, aquele foi um fator importante para não ter conseguido a vaga.

A vivência internacional traz para o jovem um amadurecimento que ultrapassa as fronteiras profissionais, faz com que nos tornemos pessoas com mais bagagem, mais capacidade de solucionar problemas, mais entendimento da forma de se relacionar com as pessoas. Por isso esse tipo de experiência é tão valorizada, pois é capaz de tornar o profissional mais articulado.

Porém, reforço que não é critério eliminatório. A questão em si não é a importância de ter vivido um tempo no exterior. O que as empresas querem de fato é as habilidades para lidar com situações adversas, conforme disse anteriormente. Ou seja, o que as grandes empresas esperam de um trainee é que ele tenha essas habilidades, e não que tenha morado fora do país. A prova disso é que, como já disse no início, fui aprovado em dois programas de trainee sem ter tido essa experiência.

Em resumo, se ainda é possível, procure um intercâmbio ou um curso fora do país. Mas se não for, não desista, pois esse não é um critério restritivo.

 

E quanto à disponibilidade para mudanças?

 

Sim, dentre o que as grandes empresas esperam de um trainee, disponibilidade para mudanças pode ser considerada uma unanimidade. Lembre-se de que estamos falando de empresas multinacionais, que têm filiais em diversos estados. Portanto, o candidato deve estar disponível para realizar projetos para a empresa em locais diversos, inclusive fora do país.

 

Certo, mas qual o perfil comportamental desejado?

 

Algo que as grandes empresas esperam de um trainee é que tenha um perfil comportamental alinhado com os valores e crenças da organização. Além disso, algumas características são bastante valorizadas, como por exemplo a capacidade de inovar e habilidade de liderança.

Mas não adianta criar máscaras. Durante o processo seletivo, seja você mesmo! Qualquer comportamento forçado é facilmente identificado durante as etapas do processo. Além disso, interpretar um personagem só intensificará seu nervosismo. Você deve saber exatamente para qual empresa você está indo e se há uma compatibilidade de ideias entre essa organização e você.

Podemos seguramente dizer que cada vez mais a decisão final é feita muito mais baseada no perfil comportamental do candidato do que em sua formação e experiência. Na maior parte dos casos, é essencial ter uma formação acadêmica de peso para garantir que você chegue às etapas finais, mas daí em diante o que conta de fato é se você tem o perfil para ser a peça que faltava no quebra-cabeça da empresa.

Por exemplo, de acordo com Mariana Engelman, Gerente Nacional de Recrutamento e Seleção da Ambev, “não esperamos nada do jovem profissional além de aderência à nossa cultura e vontade de aprender”. Já Maria Cristina Sampaulo, Vice-Presidente de Gestão de Capital Humano da Goldman Sachs, diz que “poucos candidatos pesquisam sobre a empresa anteriormente e chegam com uma ideia equivocada sobre nosso estilo de trabalho”.

 

E aí, está preparado para o processo seletivo?

 

Agora que você sabe o que as grandes empresas esperam de um trainee, que tal saber tudo processos seletivos? Por exemplo, você sabe como agir na sala de espera? Sabe como se preparar para as perguntas feitas na entrevista? E o que fazer depois da entrevista? E uma das maiores dúvidas, como se comportar em uma dinâmica de grupo?

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